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A biometria no olho míope: estudo comparativo de três fórmulas e sua previsibilidade refracional

Autores: Augusto Cezar Lacava*, Virgilio Centurion*


Biometry in high myopic eyes: the previsibility of three formulas

Resumo
Objetivo: Comparar a previsibilidade refracional de três fórmulas biométricas: SRKT, Holladay II e Haigis em olhos com comprimento axial > 26mm, tendo como meta a refração plana no componente esférico da refração.
Material e método: Seleção retrospectiva de 22 olhos altos míopes com catarata, submetidos a facoemulsificação com implante de lente intra-ocular dobrável no saco capsular. A biometria foi realizada com IOL Máster – Zeiss e Ultra Scan Imaging - Alcon por contato quando necessário. Avaliou-se a refração no 6º mês pós-operatório.
Resultados: A MAVC pós-operatória foi de 20/20 ou melhor em 12 olhos (54,5%), a refração plana no componente esférico foi alcançada em 36.36% dos olhos. A fórmula Haigis obteve melhores resultados em relação a SRKT e Holladay II quando o objetivo foi refração plana.
Conclusão: Não há diferença estatisticamente significativa entre as 3 fórmulas para olhos com comprimento axial longo (>26mm).
Abstract
Objective: To compare the previsibility of three biometrical formulas: SRKT, Holladay II and Haigis in eyes with axial length > 26mm, with the objective of plano in the refraction spherical component.
Material and Method: Retrospective selection of 22 high myopic eyes with cataract, submitted to phacoemulsification with foldable intraocular lens implant in the capsular bag. Biometry was done using IOL Máster – Zeiss and Ultra Scan Imaging - Alcon for contact when necessary. Refraction was evaluated on the 6th postoperative month.
Results: BCVA postoperative was 20/20 or better in 12 eyes (54.5%), plano refraction in spherical component was obtained in 36.36% of the eyes. Haigis formula obtained better results when compared to SRKT and Holladay II when the objective was plano.
Conclusion: There is not statistically significant difference between the 3 formulas for long axial eyes (>26mm).
Os autores não visam interesses econômicos diretos ou indiretos nos equipamentos e/ou medicamentos utilizados neste trabalho (*) Oftalmologistas do IMO - Instituto de Moléstias Oculares - End. para corresp.: Av. Ibirapuera, 624 - Ibirapuera- CEP: 04028-000 São Paulo - SP - Brasil - E-mail: centurion@imo.com.br

Palavras chaves:LIO, US, interferometria, fórmula.
Introdução
O olho alto míope representa um desafio biométrico quando o objetivo é a obtenção da emetropia pós-cirúrgica, devido ao elevado índice de inacurácia da medida do comprimento axial do globo ocular.
Segundo Holladay1, a velocidade do ultra-som no olho alto míope estaria mais próxima da velocidade do ultra-som em olhos afácicos (olhos facicos 1545m/seg; afacicos 1532m/seg), o que deveria ser corrigido com o valor de 0,28mm a ser adicionado ao comprimento axial do globo ocular obtido pelo ultra-som.
A presença de estafiloma posterior é considerada como o maior fator para a falta de precisão da medida do comprimento axial. A utilização da ultra-sonografia modo B pode nos auxiliar a localizar a macula, evitando maior imprecisão na medida. A interferometria poderá ser mais precisa, porém nos casos de maculopatia ou esclerose nuclear avançada há dificuldade de se obter o comprimento axial.
Objetivo
Avaliar a previsibilidade refracional de três fórmulas biométricas pós facoemulsificação em olhos míopes.
Material e Método

Estudo retrospectivo de biometrias realizadas entre janeiro de 2004 e março de 2005, de olhos submetidos a facectomia. Deste grupo, selecionamos os olhos com comprimento axial > 26mm e utilizamos três fórmulas para cálculo biométrico, a saber, SRKT, Holladay II e Haigis e comparamos os resultados refracionais.
O procedimento cirúrgico realizado foi facoemulsificação com implante de lente intra-ocular dobrável no saco capsular, sem sutura, sob anestesia local e internação de curta duração. Todos os procedimentos foram realizados por um único cirurgião (VC).
O pós-operatório variou de 60 a 180 dias e a refração final foi obtida no 60º dia pós-operatório e confirmada no 6º mês caso houvesse variação.

Para cálculo do poder dioptrico foram realizadas biometrias ópticas (IOL Máster – Zeiss) e quando o estágio da catarata não permitisse a sua realização foi utilizada a ultra-sônica por aplanação (Ultrascan Imaging - Alcon).
O IOL Master – Zeiss nos fornece o comprimento axial, a ACD (profundidade da câmara anterior) e a ceratometria, e o Pentacam – Oculus a espessura do cristalino, dados essenciais para a fórmula Holladay II. Uma vez obtido os dados, estes foram introduzidos nas três fórmulas.
A emetropia, no componente esférico da refração, sempre foi o objetivo do resultado refracional final. A escolha da fórmula recaiu quase sempre sobre a Holladay II. Uma vez realizado o procedimento cirúrgico e obtida a estabilização refracional, comparamos o resultado da LIO implantada com as outras fórmulas, com o objetivo de verificar se o resultado teria sido melhor caso tivéssemos feito uma outra opção de fórmula.

Resultados

Obtivemos 22 olhos de 12 pacientes submetidos a cirurgia da catarata conforme a tabela I
A idade média foi de 64,8 anos, sendo 9 (75%) do sexo feminino e 3 (25%) do sexo masculino.

MAVC
Pré

Refração
Pré

MAVC

Pós

Refração
Pós

LIO
Impl.

SRKT

Holladay II

Haigis

Doença ocular
associada

Comp.
Axial

Bio.
utilizada

20/80

*

20/60

+1.00 -1.50 105

+18.0

+16.50

+18.0

+18.50

CR + DR

27,33

BUS

20/80

-16.00

20/40

+1.00 -1.50 170

+2.00

+2.00

+1.50

+1.00

---

30,02

BO

20/200

-20.00

20/40

+1.00 -1.50 170

-1.00

-3.50

-3.50

-2.00

---

30,86

BO

20/30

-11.00 -1.00 120

20/30

Plana

+5.00

+4.00

+3.50

+4.00

---

29,20

BO

20/400

-12.00 -0.50 180

20/30

-0.50 145

+4.00

+3.00

+2.50

+3.50

---

29,60

BO

< 20/400

-24.00

20/400

Plana

-7.00

-12.00

-8.50

-9.50

---

34,60

BUS

20/200

-18.50

20/80

+2.00

-9.00

-13.50

-10.00

-10.50

---

32,95

BO

< 20/400

-14.00

20/60

+2.00 -5.00 110

+9.00

+8.50

+8.00

+9.00

---

27,71

BO

20/60

-15.00

20/30

+1.00 -1.00 165

+4.00

+3.00

+2.50

+3.50

---

30,56

BO

20/40

-10.50 -1.00 180

20/20

-0.50 180

+8.00

+7.00

+6.50

+7.00

---

28,82

BO

20/30

-4.25 -1.75 60

20/40

+0.50 -1.25 15

+12.00

+11.50

+11.00

+11.00

---

26,47

BO

20/70

-6.50 -2.25 130

20/40

+0.75 -1.50 135

+9.00

+8.50

+8.00

+8.50

---

27,10

BO

20/80

-25.00

20/40

+1.00

-1.00

-1.00

-1.50

-0.50

---

29,68

BO

20/60

-25.00

20/30

-1.00 90

+3.00

+2.00

+1.50

+2.00

---

28,67

BO

20/400

*

20/200

-1.25 100

+2.00

+1.50

+1.00

+1.50

---

29,68

BUS

20/50

*

20/50

-0.50 180

+9.00

+8.50

+8.00

+8.50

---

28,67

BUS

20/400

-20.00

20/200

+1.00

+1.00

+1.50

+1.00

+2.00

Maculopatia

29,43

BO

20/400

-20.00

luz

+0.50

-1.00

+7.50

*

+7.50

Maculopatia

30,29

BO

20/80

-13.00

20/30

+1.00

+1.00

+1.50

+1.00

1.50

---

28,12

BO

20/60

-12.00 -1.00 175

20/30

+1.00

+1.00

+2.00

+1.00

+2.00

---

28,00

BO

20/400

-8.25 -3.75 15

20/80

-2.00 30

+9.00

+9.50

+8.50

+9.00

Maculopatia

26,10

BO

20/100

-7.00 -5.00 160

20/80

+2.00 -3.50 150

+8.00

+8.50

+7.50

+7.50

---

26,40

BO

Tabela I: Resultados comparativos entre as 3 fórmulas. BO: biometria óptica; BUS: biometria ultra-sônica.
* Os pacientes 1, 15 e 16 apresentavam opacificação cristaliniana que impedia a realização da refração, também não possuíam receita com a refração que utilizavam.
* Sem medida para Holladay II

LIO Implantada

Holladay II

Haigis

SRKT

5,0

3,5

4,0

4,0

4,0

2,5

3,5

3,0

-7,0

-8,5

-9,5

-12,0

8,0

6,5

7,0

7,0

3,0

1,5

2,0

2,0

2,0

1,0

1,5

1,5

9,0

8,0

8,5

8,5

9,0

8,0

9,0

9,5

Tabela II: Refração final plana em 36,4%

LIO Implantada

Holladay II

Haigis

SRKT

18,0

18,0

18,5

16,5

2,0

1,5

1,0

2,0

-1,0

-3,5

-2,0

-3,5

4,0

2,5

3,5

3,0

12,0

11,0

11,0

11,5

9,0

8,0

8,5

8,5

-1,0

-1,5

-0,5

-1,0

1,0

1,0

2,0

1,5

1,0

1,0

1,5

1,5

1,0

1,0

2,0

2,0

-1,0

*

7,5

7,5

Tabela III: Refração final entre +0.50 e + 1.0 em 50%

* Sem medida para Holladay II (AV pós = luz)

LIO Implantada

Holladay II

Haigis

SRKT

-9,0

-10,0

-10,5

-13,5

9,0

8,0

9,0

8,5

8,0

7,5

7,5

8,5

Tabela IV: Refração final maior que 2.0 dioptrias em 13,6%

Acuidade visual

20/20

20/25 - 20/40

< 20/50

pós-operatória

 

 

 

21 olhos

1 (4,8%)

11 (52,4%)

9 (42,9%)

Tabela V: Acuidade visual pós-operatória

AV pós = luz (pac. 18)

 

Média

Desvio padrão

Pré-Operatório

-15,27

0,20

Pós-Operatório

5,87

0,69

Tabela VI: Equivalente esférico *

* t = 11,07 – p < 0,000001

 

Holladay II

SRKT

Haigis

ME (D)

  • Média ± Desvio padrão

 

-0,71 ± 0,65

 

-0,72 ± 0,67

 

-0,70 ± 0,70

MAE (D)

  • Média ± Desvio padrão

 

0,74± 0,62

 

0,74 ± 0,65

 

0,74 ± 0,65

Olhos com MAE < 0,50 D

  • N (%)

 

  9 / 21 (42,9%)

 

  8 / 22 (36,4%)

 

10 / 22 (45,5%)

Olhos com MAE < 1,00 D

  • N  (%)

 

16 / 21 (76,2%)

 

17 / 22 (77,3%)

 

15 / 22 (68,2%)

Olhos com MAE < 2,00 D

  • N (%)

 

21 / 21 (100%)

 

20 / 22 (90,9%)

 

21 / 22 (95,5%)

Tabela VII: Avaliação geral das fórmulas para olhos com comprimento axial ³ 26mm

ME: Mean numeric error = [Erro refrativo da Fórmula-preditiva] – [Erro refrativo Pós-operatório]

MAE: Mean absolute error = |ME|

 

Erro refrativo
Holladay II

Erro refrativo
SRKT

Erro refrativo
Haigis

Erro refrativo
Pós-operatório

 

t = 5,01 – p = 0,00007

 

t = 5,07 – p = 0,00005

 

t = 4,65 – p = 0,00014

 

ME(D)

LIO Fórmula

Comprimento Axial 26 - 28 mm

Comprimento Axial ³ 29 mm

Comparação entre os Comprimentos Axiais

  • Holladay II

-0,74

-0,68

p = 0,85 - ns

  • SRKT

-0,74

-0,71

P = 0,91 - ns

  • Haigis

-0,71

-0,68

P = 0,91 - ns

Tabela VIII: Performance das fórmulas para subcategorias do comprimento axial

ME: Mean numeric error = [Erro refrativo da Fórmula-preditiva] – [Erro refrativo Pós-operatório]

MAE: Mean absolute error = |ME|

Erro refrativo PO

Erro refrativo
Holladay II

Erro refrativo
SRKT

Erro refrativo
Haigis

  • Comprimento axial 26-28 mm

 

t = 3,43 – p = 0,0064

 

t = 3,04 – p = 0,012

 

t = 3,33 – p = 0,0077

  • Comprimento axial ³ 29 mm

 

t = 3,52 – p = 0,0065

 

t = 3,74 – p = 0,0039

 

t = 3,44 – p = 0,0064

Consideramos apenas a refração esférica para avaliação dos resultados. O programa Holladay II fornece um fator de correção quando o comprimento axial é obtido pela interferometria e obtivemos refração plana esférica em 8 olhos (36,36%), e não houve residual miópico.

A MAVC foi de 20/40 ou melhor em 12 olhos e menor ou igual a 20/50 em 10 olhos, estes últimos com diversos graus de maculopatia miópica. (Tabela 5, 6,7,8)

Discussão
Zaldivar2 comparou as fórmulas SRKT, Hoffer Q, Holladay I e II em predizer o poder dioptrico da lente intraocular em 50 pacientes com comprimento axial do globo ocular maior igual que 27mm e observou que os resultados foram melhores em LIO com poder dioptrico positivo, quando comparado a LIO de poder dioptrico negativo, apesar de todas hipermetropizarem os pacientes, obteve em 77% dos olhos entre + 1 dioptria. O autor acredita que isto se deve a imprecisão da medida do comprimento axial devido a presença da estafiloma posterior.
Holladay1 refere que em olhos com mais de 30mm a distância vertex corneano - fóvea é de 0,5 a 1,5mm menor que a distancia vertex corneano – fundo do estafiloma.


Nossos resultados mostraram 87,5% dentro de + 1 dioptria, sendo que 37,5% eram de refração plana e não parecem confirmar uma superioridade da fórmula de Haigis como predito anteriormente4. (Vide tabela 7)
Levando em conta o resultado refracional plano, observamos que se tivéssemos utilizado a fórmula Haigis os resultados seriam mais precisos, seguido pela Holladay II e pela SRKT (Vide tabela 7). No entanto não há significância estatística. A personalização da constante do cirurgião nos parece ainda ser o fator que promove melhores resultados. Observamos que na tabela II houve alteração de +0.50 a 1,0 dioptria ao resultado da fórmula Holladay II, que foi a escolhida para o implante.
Centurion5, 6 em 1997/98 mostrou que olhos altos míopes apresentavam resultados superiores em termos de previsibilidade biométrica utilizando a fórmula SRKT, o que também foi confirmado por Lacava7. Centurion5 obteve em 58% dos olhos uma refração residual de + 1 dioptria em pacientes com refração media pré-cirúrgica de –17,85 +3,84 dioptrias.
Falzoni8 utiliza para altos míopes (>26mm) SRKT e Holladay I, e acredita que Holladay II não ofereça resultados tão precisos quanto às anteriores. Telles9 também recomenda SRKT para altos míopes.


Hoffer3 acredita que Holladay II e SRKT predigam a mesma precisão para olhos longos e médios (> 24,5 e < 26,0mm) enquanto que SRKT seja mais precisa para olhos com mais de 26mm.
Esta melhora pode ser devido a dois fatores: o uso da interferometria e a utilização de fórmula de última geração.
Acreditamos, como refere Zaldivar2, que devemos no momento atual considerar além da possível imprecisão da medida do comprimento axial também as diferenças nos desenhos das lentes intra-oculares de poder positivo e negativo e os erros inerentes das fórmulas para cálculo do poder dioptrico, que terão uma importância maior nestes olhos com comprimento axial longo.

Bibliografia
  1. Holladay JT. Standardizing constants for ultrasonic biometry, keratometry, and intraocular lens power calculations. J Cataract Refract Surg 1997;23:1356-70.
  2. Zaldivar R, Shultz MC, Davidorf JM, Holladay JT. Intraocular lens power calculations in patients with extreme myopia. J Cataract Refract Surg 2000;26:668-74.
  3. Hoffer KJ. Clinical results using the Holladay 2 intraocular lens power formula. J Cataract Refract Surg 2000;26:1233-7.
  4. Haigis W. The Haigis formula. In: Shammas HJ. Intraocular lens power calculations. Thorofare, NJ, Slack, 2004. p.41-57.
  5. Centurion V, Caballero JC, Lacava AC. Extração de cristalino transparente: facoaspiração refrativa no tratamento da alta miopia. Rev. Bras. Oftal. 1997;56:415-9.
  6. Centurion V, Lacava AC, Lucca ES. Facoemulsificação em pacientes portadores de catarata e alta miopia. Rev. Bras. Oftal. 1998;57:831-5.
  7. Lacava AC, Caballero JC, Madeiros AO, Centurion V. Biometria no alto míope. Rev. Bras. Oftal. 1995;54:61-3.
  8. Falzoni W, Carani JCE, Kubokawa K, Madeira D. Facoemulsificação em altos hipermétropes e altos míopes. In: Padilha M. Catarata. Rio de Janeiro, Cultura Médica, 2003. p. 449-62.
  9. Telles A. Ecobiometria e cálculo da lente intra-ocular. In: Rezende F. Cirurgia da catarata. Rio de Janeiro, Cultura Médica, 2000. p. 53-68.
  10. Leal EB. Lacava AC, Caballero JC, Centurion V. Biometria: interferometria vs ultra-som por aplanação. Rev. Bras. Oftal. v.62, n.12, p.872-7, dez. 2003.
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